domingo, 13 de julho de 2008

É da natureza humana


Sabe quando a gente fica cansado de tudo e de todos e sente vontade de ir pra bem longe?
Quantas vezes já não arrumamos nossa malinha, mesmo que só na imaginação, pensando em fugir de todas as regras que nos são impostas por toda nossa vida? Primeiro os pais, depois a escola, e ainda a religião, a moda, a carreira...ufa!
Pense bem. De todas as realizações as quais se dedicou desde a infância, quantas delas foram conquistadas por sua própria vontade e quantas conquistou para atender às expectativas dos outros?
O quanto somos realmente livres para deixar tudo pra trás e viver sem obedecer a padronização de felicidade imposta pela sociedade?
Então?.. Já sentiu aquela vontade enorme de chutar o balde, largar tudo e ir pro Alasca?
Pois neste fim de semana conheci a história do jovem Christopher McCandless, cidadão americano nascido em Virgínia, EUA, que fez exatamente isso. Cortou laços com a família, doou 24 mil dólares para caridade e partiu numa aventura viajando sozinho como andarilho até o Alasca.
O filme Na Natureza Selvagem, baseado no livro Into the Wild de Jon Krakauer (1996) conta os detalhes desta jornada onde Christopher, após alterar seu nome para Alexander Supertramp, percorre os EUA, carregando poucos objetos em uma mochila, em busca de comunhão com a natureza. E nesta busca, ele se tomou de um amor tão grande pela vida que foi capaz de distribuí-lo por todos os novos amigos que conheceu pelo caminho e depois se isolar, sem nenhuma crise de solidão.
De início, a disposição do jovem Christopher, tão bem interpretado pelo ator Emile Hirsch, em seguir seus planos de abandono de uma vida de aparência estável, desperta em nós os sentimentos próprios dos “enquadrados” e pensamos em como ele pôde ser tão egoísta e ter a ousadia de abandonar uma vida tão confortável, tão bem planejada pelos pais, tendo tanto futuro pela frente. Mas ao longo de sua história, vamos deixando cair nossas resistências junto com os poucos bens que ele vai deixando pelo caminho e nos envolvendo com as lindas imagens da natureza repleta de liberdade , sendo embalados pelo som da bela voz de Eddie Vedder (da banda Pearl Jam).
Não vou julgá-lo pela tristeza e preocupação que causou à família, nessa ânsia de fugir de regras e convenções. Muitos de nós precisamos ficar sozinhos de vez em quando seja pra nos conhecer melhor ou pra sentir falta justamente daqueles que queríamos nos manter afastados.
O ser humano é complexo. Conviver é complexo. Amar é complexo. Liberdade é complexa. Tentar escrever todas as emoções que senti assistindo ao filme é ainda mais complexo.
Deixo a dica e espero que possam comentar depois como se sentiram diante deste jovem que viveu em tão pouco tempo muito mais do que muitos viveram em mais de 80 anos de idade.
E se o final lhe parecer triste, faça como eu. Assista mais de uma vez .

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Os livros, sempre eles

Quem me conhece sabe que tenho paixão por livros.
Só não cultivo uma grande biblioteca por falta de espaço.
Na última mudança tive que me desfazer de muitos livros e, apesar de saber que foram parar em boas mãos, a despedida foi dolorosa demais. Mas é como um vício. Substitui os antigos por novos e meu marido costuma dizer que temos mais livros que poeira, porque sempre encontra um em cada canto.
Para organizar, comprei uma estante linda, com portas de vidro e fechadura. Mas não adiantou. Foi só deixar um dia destrancado e saíram de lá pra decorar toda a casa novamente.
Logicamente, sou fã de livrarias.
Pra quem trabalha no centro das grandes cidades, tem algo mais relaxante do que, depois do almoço, entrar numa livraria e ler pequenos trechos de emoção, ciência, filosofia, romance, ficção e tudo mais que nos faça fugir um pouco do stress, enquanto saboreia um gostoso café?
No Centro do Rio de Janeiro, a que acho mais acolhedora é a Livraria da Travessa.
Faço visitas constantes desde 1998, quando ainda no número onze da Travessa do Ouvidor, e haviam sinos presos ao portal anunciando a entrada dos clientes que cruzavam a porta de vidro emoldurada em madeira.
Quando iniciou a modernização, cerca de oito anos atrás, recordo que temi perder este meu refúgio. Mas a decoração continuou acolhedora: paredes revestidas de estantes de cor escura e bancadas dividindo o espaço formando corredores onde circulamos por muitos livros empilhados.
Foram essas bancadas que mais me chamaram a atenção. Em cada uma delas um assunto; em cada pilha de livros, um autor. E nesse redemoinho de cultura, confesso que tenho dificuldade de encontrar sozinha o título que busco, mas aí é que está o charme dessa livraria! Por muitas vezes, não encontrei, mas fui “encontrada” por um enredo maravilhoso, uma poesia ou filosofia em livros que talvez não fossem parar nas minhas mãos de outro modo.
Freqüentando quase que diariamente, fui acompanhando as mudanças que só trouxeram melhoria. Pulou para a loja ao lado, anexou uma papelaria e um café, inseriu mais títulos de cds e dvds e nos brindou com um som ambiente tão confortador que estimula uma boa conversa ou a boa companhia do livro escolhido.
Se a intenção foi acompanhar as tendências do mercado ou se tornar mais competitiva, não sei. Mas foi tão cuidadosa em preservar seu estilo antigo que nos acostumamos com as novidades sem sentir.
Agora, além de ir lá para mergulhar no universo maravilhoso da leitura, estou adquirindo aos poucos o hábito (não tão freqüente como gostaria) de me sentar numa mesinha, pedir um café e escrever. Este texto, inclusive.