quarta-feira, 24 de março de 2010

Os amigos e a felicidade

Li e me identifiquei com o artigo “Em busca da bússola perdida” do Dr. Alessandro Loiola -http://colunistas.yahoo.net/posts/795.html - e um trecho me chamou mais a atenção, quando diz que deve-se procurar bons amigos quando se sentir perdido.

Quanto mais o tempo passa, mais percebo que só posso contar com 3 amigos especiais: a oração, a ação e os livros.
Estes não reclamam que você anda se queixando demais, nem dão tapinha no ombro dizendo: "Te cuida..isso vai passar".
E se um deles pudesse dar um abraço, seria perfeito.

Mas a verdade é que tudo passa mesmo.
Nosso amado amigo Chico Xavier nos brindou com uma linda mensagem dizendo que tudo passa, tanto a tristeza como os momentos felizes.
Vivemos como numa montanha russa que parece ficar mais perigosa a medida que vai chegando ao final.
Só gostaria de um intervalo maior entre as coisas ruins e um menor entre as coisas boas. Se continuar do jeito que está, estas emoções freqüentes em espaços curtos de tempo vão acabar me desanimando de continuar achando tudo uma aventura divertida.

Quanto mais penso em felicidade, só a encontro nos olhos das pessoas a quem ajudo. Engraçado isso.
Dizem que está dentro, mas só a encontro do lado fora.
Por dentro a gente tenta mesmo é se enganar, daí finge.
Mas até aí se torna um benefício para o outro, porque quem gosta de você de verdade, quer muito te ver feliz.




Ƹ̵̡Ӝ̵Ʒ



Tudo Passará
Chico Xavier


Todas as coisas, na Terra, passam…
Os dias de dificuldades, passarão…
Passarão também os dias de amargura e solidão…
As dores e as lágrimas passarão.
As frustrações que nos fazem chorar, um dia passarão.
A saudade do ser querido que está longe, passará.
Dias de tristeza… Dias de felicidade…
São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no espírito imortal as experiências acumuladas.
Se hoje, para nós, é um desses dias repletos de amargura, paremos um instante.
Elevemos o pensamento ao alto, e busquemos a voz suave da Mãe amorosa a nos dizer carinhosamente:
”Isso também passará… “
E guardemos a certeza, pelas próprias dificuldades já superadas, que não há mal que dure para sempre.
O planeta Terra, semelhante a enorme embarcação, às vezes parece que vai soçobrar diante das turbulências de gigantescas ondas.
Mas isso também passará, porque Jesus está no leme dessa Nau, e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a agitação faz parte do roteiroevolutivo da humanidade, e que um dia também passará…
Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos, sem esmorecimento, e confiemos em Deus, aproveitando cada segundo, cada minuto que, por certo….também passarão.

Abram seus horizontes



Deve ser por causa da idade ou por começar a assistir as aventuras do filho nos primeiros vôos rumo a independência financeira, mas comecei a olhar mais para quem eu sou e como tem sido a minha vida profissional até agora e não gostei nada do que vi.
Então decidi que devia fazer alguma coisa e quis mudar.
Procurar algo com o qual tenha realmente afinidade e que goste de fazer.
Senti saudade da época em que atuava na área de Recursos Humanos e decidi voltar.
Atualizei o currículo e pensei em começar a busca pela Internet.

Depois de muito navegar pelos mares das agências de emprego, sites de relaciomento, contatos diversos, sites de empregos,etc, cheguei a uma conclusão, não de todo triste porque estou empregada mas que seria alarmante se não estivesse: não estou fora do mercado só por causa da idade; estou fora do mercado por estar totalmente despreparada.

Não sei se existem casos parecidos como o meu por aí, mas a verdade é que me acomodei por causa da segurança (aparente talvez) e dos benefícios oferecidos.
Além de me acomodar, acho que andei meio míope porque durante estes anos dentro da mesma empresa, pensando que realmente estava cooperando, investi muito tempo em projetos internos que não foram adiante por questões políticas ou pelos quais não ganhei nenhum mérito e, conseqüentemente, não me trouxeram nenhum retorno.

Posso até entender hoje a geração Y, porque tivesse eu me preocupado mais com a carreira, talvez pudesse hoje ter um currículo muito mais atraente.
Cumprindo fielmente as metas traçadas pela organização, dirigi meu comportamento para obedecer todas as regras, trabalhar mais do o esperado, abrir mão de interesses pessoais, para no final das contas receber aumentos e bônus muitas vezes insignificantes.
Bônus este cujo medidor, na maioria das vezes, é a quantidade de metas que você deixou de cumprir, porque o orçamento é muito baixo e não dá pra premiar todo mundo e assim fica fácil saber quem não irá ganhar.
Neste caso não importam os fatores impeditivos - internos ou externos - para que se cumprisse as metas.
Enfim, você é avaliado pelo planejamento orçamentário.


Lembro de uma vez, logo que conclui a universidade, um funcionário antigo me disse: "Minha filha, não fica aqui não...abra seus horizontes".
Ouvi paciente, mas no fundo pensei: "Nossa, mas de jeito nenhum eu vou sair. Uma empresa grande, com tantos benefícios e eu tenho tanto a contribuir aqui...."
Pois foi uma grande ilusão que a gente se deixa levar até porque existe a preocupação financeira em relação à família.
Os filhos, principalmente, são os que sempre nos fazem manter os pés bem presos ao chão.
Mas o tempo passa...
Até que chega um dia que você abre os olhos, ou começa a usar óculos multifocais, e questiona sua vida profissional.

Vê o quanto contribuiu e continua contribuindo e cobra um retorno que nunca vem.
E por passar a cobrar, passamos a desmotivados, cansativos, etc.
Já não recorrem mais à suas idéias, não porque são antiquadas, mas porque você vai perguntar o que ganhará por elas.
Então, todos os olhos se voltam para os jovens recém-contratados, que chegam altamente confiantes, cheios de idéias, sorridentes e prontos para agradar.
Ao meu redor estão muitos.
Têm muito a contribuir com seus diplomas de pós graduação e mestrado e tempo de sobra para ficar até muito depois do horário de trabalho. Nunca questionam nada porque sabem que primeiro é preciso mostrar todo seu potencial.

Bem...
Só posso dizer que, hoje, quem bate nos ombros desses meninos(as) e diz “filhos(as)...abram seus horizontes...”, sou eu.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A minha 'Linha de Sombra'


Pensei em começar a escrever sobre saudade... mas prefiro falar sobre a menopausa.
Bem, filhote viajou (ai, que saudade) e ontem senti a casa tão vazia que fui buscar consolo em um dos meus amigos mais íntimos e fiéis: um livro. E convidei o inglês Joseph Conrad para um papinho, acompanhado de uma taça de vinho, para que fosse me conquistando aos poucos... Mas ele me ganhou já no primeiro capítulo do romance “A Linha de Sombra”, ao expressar tão bem aquela fase maravilhosa da existência humana quando somos (ou achamos que somos) absolutamente donos de nós mesmos e de nosso destino:
"É um privilégio do começo da juventude viver adiante de seus dias, em toda a bela continuidade de esperança que não conhece pausas ou interrupções.
Fecha-se atrás de si o pequeno portão da mera meninice – e adentra-se um jardim encantado. Até as sombras aqui resplandecem cheias de promessas. Cada curva da vereda tem suas seduções. E não porque se trate de um país desconhecido. Sabe-se muito bem que a humanidade toda já trilhou aquela senda. É o encanto da experiência universal, da qual se espera extrair uma sensação incomum ou pessoal – um algo que seja só nosso."

E não é exatamente assim?
Observem seus filhos. Olhem bem quantos traços, comportamentos, qualidades e defeitos eles adquiriram de você, somados aos que adquiriram na sociedade, mais os que eles escolheram para si mesmos, prontos para ir em busca de sua experiência universal! Não é maravilhoso? Você se lembra desse “jardim encantado”?
E o autor complementa, que "aceitando a boa ou a má sorte, vai-se adiante. E o tempo também, caminha – até que se percebe uma linha de sombra avisando-nos que a região da mocidade também deverá ser deixada para trás."
A menopausa também é uma experiência universal muito pessoal. Cada uma das amigas com quem converso sente diferente, age diferente, tem expectativas diferentes.
E eu? Como venho me sentindo de verdade?
Fiquei pensando – aliás, penso demais, já me disse um amigo (um humano, não um livro) – que estas mudanças que vêm acontecendo comigo, físicas e emocionais, que os médicos vêm sinalizando como uma pré-menopausa, significam que cheguei na “linha de sombra”, avisando que o tempo caminhou e terei que entrar mais uma vez em um país desconhecido.
E daí em diante, como será? Este novo jardim será também tão encantador? Continuará cheio de promessas? Terá suas seduções?
Até agora – exceto comer, beber e ir ao banheiro – tudo o mais foi opcional. Uma imensa aventura guiada pelas escolhas constantes que tive que fazer: estudar, o que estudar; casar, com quem casar; ter filhos; trabalhar; voltar a estudar; rir ou chorar; amar ou desprezar; lutar ou desistir.
As opções eram tantas! A “boa ou má sorte” era encarada como desafios, e tantos foram superados sem nenhum problema. Não havia tempo para lembrar o passado e nem interessava tanto o futuro. A vida era, literalmente, um presente. Desfrutava da ânsia de viver tudo ao mesmo tempo e com toda a intensidade possível. E não sentia nenhum medo do que viria a seguir.
Daí chega a maturidade e me pergunto: e se houvesse optado por outros caminhos?
As vezes não perdoo as escolhas que julgo terem sido erradas e que me trouxeram dor, sofrimento ou mágoa, esquecendo que estas experiências vividas foram tão importantes para me conhecer melhor.
Mas será que realmente sei quem sou?
O Passado bateu na porta e está tentando retornar devagar, ocupar um espaço muito grande e tirar toda a atenção do Futuro com quem voltei a flertar e tenho planos de transformar num ótimo relacionamento. Não devo deixar o Passado ocupar meu quarto de hóspedes. Para não magoá-lo, convidei-o gentilmente a viver no quartinho dos fundos. Lá onde guardamos objetos que recordam bons momentos, mas não combinam mais com os novos sentimentos e expectativas espalhados pela casa e muito menos irão combinar com os que estão por vir.
O Futuro está se instalando aos poucos, como aquele hóspede que vai se habituando à rotina da casa, mas também gostaria de cooperar fazendo algumas boas mudanças. Não devo deixar de aproveitar as novas opções que ele traz na bagagem. Devo estar pronta para mais uma emocionante viagem.
Parodiando Joseph Conrad:
"É um privilégio do começo da maturidade viver adiante de seus dias, em toda a bela continuidade de esperança que não conhece pausas ou interrupções.
Fecha-se atrás de si o pequeno portão da mera juventude – e adentra-se um jardim encantado. Até as sombras aqui resplandecem cheias de promessas. Cada curva da vereda tem suas seduções. E não porque se trate de um país desconhecido. Sabe-se muito bem que a humanidade toda já trilhou aquela senda. É o encanto da experiência universal, da qual se espera extrair uma sensação incomum ou pessoal – um algo que seja só nosso."

Boa viagem para vocês também!