quarta-feira, 28 de julho de 2010

Cissa Guimarães desabafa: 'Quem morreu fui eu”


Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
-
Chico Buarque -

Sei o quanto este assunto está repercutindo na mídia e são várias as opiniões a respeito do certo e do errado em relação aos jovens envolvidos, mas todas as notícias que leio me fazem somente pensar na dor intensa da mãe do Rafael.

Não vou escrever nada de novo sobre isso. Nada que alguém ainda não tenha dito sobre o pesar, tristeza, indignação e até mesmo uma espécie de saudade de quem a gente nem conheceu pessoalmente, só de olhar esse jovem bonito que foi o Rafael, em tantas fotos publicadas por aí, mas uma reportagem me chamou a atenção.

Cissa Guimarães, disse à imprensa que “tem a sensação de que o filho está mais vivo do que nunca” e que “quem morreu foi ela”.

Sou meio suspeita ao interpretar estas palavras, que entendo - do ponto de vista de quem acredita na vida após a morte - como a maior verdade já dita por uma mãe diante de um sofrimento tão doloroso como este.

No fundo de cada coração materno, que se despede de um filho tão jovem no túmulo, existe uma crença sutil e quase nunca dita de que não é possível que tudo se acabe ali. Toda aquela vitalidade, alegria e sonhos de juventude não pode ter se encerrado.
Esse amor incondicional que nos faz crer que a essência de nossos entes amados continua viva, mesmo não estando mais junto a nós, não depende de religião ou crença. É uma sensação inexplicável onde o inconsciente recria o cheiro, o som da voz, uma mania, um carinho, uma presença intensa de quem não está mais materialmente presente.
Talvez seja por isso que Cissa tenha dito que Rafael está mais vivo do que nunca.

No entanto, é preciso lidar com a saudade.
Quem diz que cada ser independe da existência de outro para viver, não conhece a maternidade.
Cissa diz que morreu.
Sua metade foi arrancada e a mulher que ela foi nunca mais será a mesma, mas é preciso que renasça ainda, para continuar se doando àqueles que ainda necessitam do seu carinho e deste imenso e inesgotável amor que ainda lhe vibra no coração de mãe.

Um comentário:

  1. Realmente, com poucas palavras Cissa Guimarães descreveu bem a dor que está sentindo. Todos nós perdemos entes queridos,e quando acreditamos em vida após a morte, acho que nos sentimos assim, como ela, principalmente quando se perde um filho lindo e tão jovem. Tem uma frase de nosso querido Chico Xavier, pelo espirito de Emmanuel que gosto muito e me traz sentido na vida terrena. "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo... qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim". Muita paz e muita luz a todos.
    Tereza Mourão

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